MARA PALACE HOTEL

Vassouras Fazendas históricas

As fazendas históricas que viveram o auge do ciclo do café no século XIX resistem ao tempo e hoje se destacam como grandes polos de atração para o turismo cultural. Os atuais proprietários investem no turismo histórico e no romantismo para seduzir visitantes de todas as partes do Brasil.

Na região fluminense, existem 220 fazendas remanescentes do período café, mas apenas 30 estão abertas à visitação e somente algumas se tornaram hotéis fazendas e criaram pacotes convidativos para os apaixonados por turismo histórico. Valença, Rio das Flores, Vassouras e Barra do Piraí são os principais municípios no Vale do Paraíba Fluminense que concentram o maior número de atrativos turísticos.

Fazenda Santa Eufrásia

Em Vassouras, a Fazenda Santa Eufrásia é a única fazenda particular tombada pelo IPHAN no Vale do Café, é uma das construções históricas mais importantes da área. Seu acervo é composto por mobiliário e utensílios do século XIX autênticos. A casa sede da Fazenda Santa Eufrásia é circundada por um gramado e por vegetação exuberante, com árvores centenárias e um açude. Sua construção foi iniciada em 1830 pelo Comendador Ezequiel de Araújo Padilha e seu irmão Pedro Petras Padilha.

Extravagante, Ezequiel adorava música e realizou grandes festas e saraus, além de importar gôndolas de Veneza, para românticos passeios no açude. A fazenda foi originalmente produtora de café. Em 1905, foi vendida ao Coronel Horácio Lemos, o bisavô de D. Beth, atual proprietária da fazenda, que queimou o cafezal, a fim de implantar em suas terras, a criação de gado bovino chegando a exportar carne para a Europa. Hoje a fazenda tem novamente um cafezal em produção e uma pequena loja de antiguidades. Aberta à visitação, mediante agendamento prévio, oferece um delicioso lanche ao final do passeio no qual o visitante poderá saborear o café colhido na propriedade.

Fazenda Cachoeira do Mato Dentro

Construída em 1874,em estilo neoclássico, a fazenda mantém as características originais do século XIX. Seu primeiro proprietário foi o Barão do Ribeirão, que pegou a terra virgem às margens do rio Paraíba do Sul e, na beira da estrada de ferro, construiu a casa grande. Depois de montar um engenho para beneficiar o café, o barão enriqueceu em pouco tempo por causa da maquia, a taxa que cobrava para limpar os grãos. A fazenda conserva o único banheiro de pedra pertencente aos escravos do Brasil.

"Os escravos tinham que tomar banhos com ervas e urucum porque tinham alergia ao pó que soltava dos grãos de café, desenvolvendo o que era conhecido como a lepra do café", explica Luis Rangel, atual proprietário da Cachoeira do Mato Dentro. Na entrada, há uma imponente escadaria de ferro sem carbono, que não enferruja nunca, e a inscrição "1874" no portão, em alusão ao ano da morte do barão. Figueiras centenárias, paineiras e uma gruta com um lago e a imagem de Nossa Senhora completam a entrada da casa que, à sua volta, ainda mantém os terreiros de café e as senzalas. Especializados em cantaria, porque cantavam enquanto trabalhavam retirando as pedras da pedreira para a construção da escadaria, os escravos da fazenda deram origem à expressão "canteiro de obra". No interior da casa-sede, a mesa de jantar, original e com capacidade para 40 pessoas, impressiona pela imponência. O acervo de móveis do barão também é composto por camas de viúva com cabeceiras em forma de cisne (porque o cisne, durante toda vida, tem somente um parceiro), geladeira a querosene, mesas de madeira com pés em forma de garras de leão e um oratório à Nossa Senhora das Dores. Banheira em mármore carrara, latas de mantimentos enormes e formas para fazer rapadura são alguns dos utensílios conservados. A Cachoeira do Mato Dentro foi uma das primeiras propriedades a funcionar como hotel-fazenda na região, em 1940.

Fazenda Cachoeira Grande

Cortada pela “Estrada da Polícia”, que antigamente ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais, a fazenda Cachoeira Grande foi dada como dote a Francisco José Teixeira Leite ao casar-se com sua prima, Maria Esméria Leite Ribeiro, em 1820. Não era a maior propriedade da região, possuindo apenas 1.125 hectares, mas foi o princípio da enorme riqueza do futuro Barão de Vassouras. Teixeira Leite reformou a velha casa, dando-lhe o formato de um “T”, que dizem ser uma alusão ao seu famoso sobrenome português.

Em 1987, a fazenda foi adquirida pelo empresário e colecionador de arte Francesco Vergara Caffarelli que, o lado da esposa Núbia, restaurou a casa e abriu suas portas aos turistas interessados na história da região do Vale do Paraíba fluminense. Ao final da visita à fazenda, é servido café com pão de queijo, bolo e biscoitos caseiros. Como outras propriedades da região, a Cachoeira Grande já recebeu a Princesa Isabel e seu marido, o Conde D'Eu. Um elegante jantar lhes foi oferecido pela filha do ilustre Barão de Vassouras. O menu com as iguarias e a carta de vinho da ocasião estão expostos na casa.

Fazenda Mulungu Vermelho

Sua origem remonta ao princípio do século XIX quando suas terras foram doadas, através do sistema de sesmaria ao concessionário Capitão Antônio Luiz dos Santos e sua mulher Dona Luíza Angélica, terceira filha do lendário Capitão Inácio de Souza Werneck, patriarca do clã mais importante do período cafeeiro no Vale do Paraíba.

Pelo que consta, o solar de São Francisco foi construído em 1831, na primeira fase da plantação do café na região, e com pouco tempo de lavoura, a fazenda tornou-se uma das mais prósperas de Vassouras. Aberta à visitação, a Fazenda Mulungu Vermelho, em Vassouras, oferece como opções de lazer piscina, sauna, casinha de bonecas, churrasqueira, forno para pizza, criação de pavões, playground, lago, miniquadras de basquete.

Fazenda São Fernando

Localizada em Massambará, Distrito de Vassouras, a Fazenda São Fernando foi, no século passado, uma das unidades produtoras de café do Vale do rio Paraíba Fluminense. Fundada no início do século XIX, rapidamente se inseriu na monocultura cafeeira, tornando-se uma das importantes propriedades da região. Sua origem territorial remonta ao século XVIII, quando as doações de terra se intensificaram ao longo do “Caminho Novo” das Minas Gerais.

Fernando Luiz dos Santos Werneck, seu fundador, pertenceu a um dos mais poderosos e brasonados clãs da região. Ao longo de sua trajetória, no século XIX, enquanto unidade de produção escravista, a Fazenda São Fernando acompanhou, passo a passo, o movimento de expansão, o apogeu e a decadência da cafeicultura no Vale do Paraíba Fluminense, podendo ser considerada como um dos notáveis exemplos desse processo. Sua sede foi construída em três diferentes momentos, sendo restaurada em função de uma pesquisa arqueológica desenvolvida na propriedade. Uma coleção de objetos encontrados, durante as escavações no sítio arqueológico, está exposta no seu antigo cárcere, revelando aspectos rotineiros dos senhores e escravos que ali habitaram no passado. Atualmente a Fazenda São Fernando pertence à família Coelho, que manteve sua decoração com mobiliários e obras de arte característicos da época. Na propriedade é possível observar espécies da fauna e flora da região, além da realizar visitas à sede da fazenda, às ruínas da antiga senzala e ao quadrilátero do café.

Fazenda São Luiz da Boa Sorte

A Fazenda São Luiz da Boa Sorte, localizada em Vassouras às margens da BR 393, é fruto da união de duas importantes fazendas do Ciclo Áureo do Café, a São Luiz e a Boa Sorte. Única das grandes fazendas do café com esta localização privilegiada é um primor do século XIX em plena forma, depois de restauração meticulosa. A fazenda está aberta à visitação com agendamento prévio.

Fazenda do Secretário

A Fazenda do Secretário é o melhor exemplo de solar rural cafeeiro em estilo neoclássico existente no Brasil. Localizada no Município de Vassouras, RJ, a propriedade chegou a possuir 500 mil pés de café e 366 escravos. Restaurada e mobiliada ao estilo da época, o solar foi construído em meados do século XIX (1830) por Laureano Correa e Castro, o Barão de Campo Belo.

O Barão foi Coronel Comandante Superior da Guarda Nacional de Vassouras e Iguaçu, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador da Ordem da Rosa. O título de Barão lhe foi agraciado em 1854 pelo Imperador Dom Pedro II. A fazenda do Secretário possui vários aposentos, uma escadaria importada da Europa em madeira de lei, salão de baile, escritórios, biblioteca, sala de jantar e banquete, capela e pinturas do catalão José Maria Villaronga: conhecido por suas obras em estilo "trompe d'oeil", uma das características da decoração interior das fazendas do Vale do Paraíba. Os jardins com sua extraordinária beleza e dimensão, possuem estátuas em ferro fundido da fomosa fundição Barbezat & Co., localizada no Vale d'Osne. A Fazenda do Secretário foi retratada por Vitor Frond, renomado pintor, e já serviu de cenário para várias produções da TV Globo como as minisséries "Os Maias" e "Os Quintos dos Infernos".